O Deus a quem servimos se distingue dos deuses pagãos porque é um Deus que fala. O salmista denuncia: "Prata e ouro são os ídolos deles, obra das mãos dos homens. Têm boca e não falam; têm olhos e não veem; têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram. Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta" (Salmo 115.4-7). A Palavra de Deus pode ser ouvida na observação da natureza. É a Palavra na obra da criação. Ao contemplar o universo formado pela própria Palavra (Hebreus 11.3) sempre haveremos de ouvir a poderosa voz do SENHOR (Salmo 29.4).Novamente o salmista: "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e a suas palavras até aos confins da terra" (Salmo 19.1-4). É a Palavra sem palavras, sem maiores comentários, que no silêncio dos discursos fala mais alto do que a maioria dos pronunciamentos humanos.
Da Palavra proferida pela natureza somos alçados à Palavra cristalizada nas Escrituras Sagradas. Esta modalidade de comunicação divina tem um escopo bem específico, a narrativa da história da salvação, revelando o projeto de Deus, por meio da Criação, Queda e Salvação.
Hoje é o Dia da Bíblia. Não idolatramos o livro sagrado, mas reconhecemos a sua importância no conhecimento da vontade de Deus. Daí, o significado de apoiarmos as Sociedades Bíblicas pelo mundo afora que produzem e distribuem as Escrituras em milhares de idiomas, com o fito de que toda criatura possa ter contato com o Evangelho da Salvação.
A Bíblia é o registro sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, com o propósito de orientar os nossos passos nos caminhos de Deus (II Timóteo 3.16). Assumimos, pela profissão de fé, que ela é a nossa única regra de fé e prática, e os ensinos que venham lhe acrescentar alguma coisa ou retirar algo devem ser definitivamente abandonados.
Nosso anseio deve ser por conhecer o ensino bíblico e praticá-lo, "porque, se alguém é ouvinte da Palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo, se esquece de como era a sua aparência" (Tiago 1.23, 24).
Por fim, chegamos ao cume do monte, à Palavra encarnada. O Verbo, ou seja, a Palavra (logos) que sempre existiu, porque é Deus (João 1.1), no tempo, assumiu a nossa plena humanidade, resumida na expressão "carne". Entre outros termos: "o verbo virou gente".

Esta é a mensagem do Natal: o Deus eterno, na pessoa do Filho, assumiu a humanidade para consumar o projeto divinal. Jesus é a Palavra que se fez homem. Sua Palavra é capaz de criar o mundo (João 1.3) e, também, de restaurá-lo e conferir-lhe vida eterna (João 6.68).
O Verbo Encarnado é o centro de toda a obra da criação, para o qual todas as coisas convergem (Efésios 1.10) e, também, das Escrituras que dEle testificam (João 5.39), constituindo-se na precisa hermenêutica da Bíblia. As dificuldades na compreensão da Escritura Sagrada se discernem quando Cristo é colocado no seu centro. A partir dEle todas as coisas fazem sentido e se constituem em precioso ensino para os homens.