CIDADANIA DE BERÇO
Questões como direito e deveres, e participação social dizem respeito à convivência entre as pessoas e, portanto, ao simples e delicado cotidiano das crianças.
Questões como direito e deveres, e participação social dizem respeito à convivência entre as pessoas e, portanto, ao simples e delicado cotidiano das crianças.
Que tipo de gente estará andando pelas ruas daqui a cinco ou vinte anos? Como agirão as pessoas ao pagar a conta no caixa, ao pedir um café na padaria, ao passear pelo parque, ao abrir a porta do elevador, ao telefonar, ao entrar no ônibus, ao esperar na fila do teatro, do estádio de futebol? No fundo, são questões assim que estão em pauta quando a idéia abstrata da cidadania volta a ecoar, às vésperas do Dia da Pátria ou das eleições. Direitos e deveres, participação social, contribuição à democracia, tributo aos heróis, tudo isso diz respeito à convivência entre as pessoas e à sua história comum. Diz respeito, portanto, ao simples e delicado cotidiano das crianças. E aí que se constrói a capacidade de compartilhar, de respeitar e se respeitar, de ser cidadão.
Paradas militares, campanhas oficiais e uma Copa do Mundo a cada quatro anos até que reanimam o sentido de identidade nacional. Por alguns momentos, a emoção envolve e as pessoas podem se sentir pertencentes à nação representada nos belíssimos acordes do Hino. Mas logo passa. Terminado o transe, é cada um por si. E o que pode manter nas pessoas um sentimento de comunidade, um compromisso solidário com os outros, é apenas a disposição individual de pensar e fazer algo para que as coisas coletivas funcionem e beneficiem a todos. A disposição que aparece em pequenas atitudes corriqueiras, como não deixar o carrinho atravessado no corredor do supermercado.
Texto extraído do Jornal Gazeta do Povo
06/09/1998
Ivan Capelatto
e especialistas convidados.
